O diário de um palhaço
Não queixo-me de infortúnios íntimos, mas lamento profundamente por eles estarem presentes nesse mundo tão ambiguo.
Hoje acordei pensativa. Ou melhor: amanheci o dia pensando, pois o sono não mais me atinge a dois dias. Minhas noites passam em claro e minhas mãos suam como as de um artista no camarim antes da estréia de algum espetáculo.
Mas não estou apresentando, elas suam por algo que eu mesma gostaria de saber para postar aqui. Enquanto as respostas não me atingem, postarei minhas dúvidas.
Estou adiantando tudo o que posso para facilitar meu trabalho posteriormente. Nesse exato momento resolvi dar uma pausa para olhar para mim... ... simplesmente dentro de mim.
Procurei algum texto na internet que relatasse um fato sobre "o diário de um palhaço". Nada feito. Mas porque não criar um? E quem sabe assim alivio esse eco gritante que ecoa em mim... ... simplesmente dentro de mim.
Ontem fui a um ensaio de dança. Na volta me diverti bastante. Revi uns amigos e rimos bastante.
Há tempos não exercitava minhas loucuras... e assim foi feito:
Estava passando um caminhão de lixo. Eu pulei em cima e dei a volta em dois quarteirões. Ri bastante com os garis (que por sinal eu não conhecia; nada que um "Olá, vou andar um pouco com vocês" não nos aproximasse.
Percebi a alegria daqueles homens em estar exercendo o trabalho (creio eu que nada agradável), e ainda assim o fazim com prazer. Peguei uma luva e os ajudei:
ELES: "CORRE AMANDA, PEGA E SAI CORRENDO PORQUE O CAMINHÃO NÃO PÁRA"
EU: "COMO FAÇO PARA COLOCAR O LIXO AÍ PRA DENTRO?"
ELES: "JOOOOGA"
Por um momento ri bastante. Me senti uma jogadora de basquete. RSRSRS.
Nunca imaginei que o LIXO pudesse arrancar-me sorrisos como o fez.

A alegria daqueles homens me fizeram despertar indagações...
Quantas pessoas bem sucedidas na vida não conseguem sorrir, enquanto outras, encontram no lixo o motivo para gargalhadas...
Vida ambigua....
Ontem arranquei risos de muitas pessoas, olhares confusos de outras, mas o importante é que eu estive feliz.
E por isso o diário de um palhaço: as vezes os lábios PRECISAM sorrir enquanto os olhos NECESSITAM de chorar.
Escrito por Amanda Resende às 11h36
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