** Intimidade **


Na roça

Ontem fomos à roça. Havia tempo que meu velho cinto e minha bota não saíam do armário.Que saudade que eu estava de trabalhar com o gado. De matar, retirar o couro, auxliar meu irmão no serviço agrícola.

As modas de viola que escutamos no cd player do carro na ida nos fizeram entrar ainda mais no clima.

Chegando lá, apenas você e eu. O caseiro capinava distante. O cheiro do estrume fresco, da relva molhada, das flores do campo me fizeram relembrar os tempos em que ali passei (e como eram bons).

Fiquei encantada com a tua companhia. Teus olhos de "mocinho da cidade" me fascinavam cada vez mais. Você olhava tudo ao seu redor e não hesitava em perguntar sobre qualquer coisa que alí lhe intrigava.

Sugeri um passeio à cavalo ( ou melhor, sob o lombo de duas mulas, pois os cavalos estavam distantes). Com um sorriso teu, obtive um sim como resposta.

Peguei dois cabestros. Lhe entreguei um e saímos pelo pasto à procura dos animais para que pudessem serem selados. Notei o teu tremor ao ver a boiada no pasto. Rapidamente lhe beijei e o acalmei: "elas não pegam, pode ficar tranquilo". Você me contava fatos de sua infância sobre matos, animais e eu o ouvia atenciosamente. Notei que estava desfrutando do local. Entre conversas, medos, capins, cupins e um sol que judiara de nossa face, eis que surge a imagem das mulas.

Andamos, cercamos e a dificuldade em pegá-las era grande. Elas rodearam todo o pasto e fugiram para a lagoa dos patos. Lá ficaram e não saíram mais (fizeram juz ao ditado "mula empacada não anda nem com reza brava").

Você me olhava e tuas pupilas em silêncio me transmitiam uma mensagem: "e agora? como faremos"?

A água estava totalmente turva. Misturavam-se nela vestígios de rações, um barro mole, fragmentos de argila...

Meu instinsto caipira falou mais alto: entrei no lago molhando minha bota, minha calça e minha blusa (que por sinal era de cor branca). RS como foi engraçado! Você do lado de fora observava tudo parecendo não acreditar na cena.

A brutalidade tomou conta do meu corpo, peguei um animal, passei o cabestro e montei sob o pelo. Cavalguei dentro da água para me aproximar do outro e laçar. E você novamente me olhava sem acreditar na cena! RS

Peguei o outro, levei até você e saímos puxando-as (com muita dificuldade, pois me parece que ontem elas resolveram empacar a todo instante.) Eu estava suja, suada e ainda sim recebi um beijo seu.

Selei o animal. Utilizei da força braçal. Entreguei-o. Apenas coloquei um freio em minha mula, montei no pelo e partimos.

Após subir morros, descer cascalhos eu lhe perguntei:

"Amor, você já andou disso antes?"

Me olhaste com um rosto inocente e lindo, me respondendo:

"er.. não! Nunca".

Como me senti tola. Eu poderia ter lhe dado algumas instruções. Mas você estava se saindo tão bem que me surpreendeu. Percebi que você prestava atenção em todos os meus atos e os repetia. A sua inteligência me fascina a cada dia...

O levei para ver os búfalos, as vacas maiores, uma pequena nascente de água (pode-se dizer que praticamos um "enduro equestre" RS)...

O calor estava muito, cavalgamos bastante e chegamos ao riachinho.

Lá deixamos os animais e eu já fui tirando minha roupa para refrescar meu corpo na água.

Retirei a camisa, a calça, o cinto, a fivela, a bota e as meias. Tenho o hábito de sempre banhar-me nua naquele local (claro que somente quando estou sozinha). Com a tua presença, eu poderia ter permanecido com a calcinha e o sutiã. Em um ato natural, os retirei também. Não fiquei sem graça na hora, pois a tua presença me deixa tão a vontade que parece sermos um. Quando olho para tras, você ainda estava todo vestido. Somente obsevando a cena.

Fiquei vermelha de fato, mas quebrei o gelo: "Só estamos nós dois, eu sempre tomo banho nua. Não tem problema. Ninguém aparecerá".

Um lindo sorriso habitou teus lábios e você me acompanhou. Nesse momento eu queria ser uma borboleta, uma mosca ou qualquer inseto que fosse. SOMENTE PARA OBSERVAR EU E VOCÊ BRINCANDO FEITO DUAS CRIANÇAS NA ÁGUA.

Já haviamos nos refrescado... a água estava transparente. Podíamos ver os cascalhos ao fundo.

Deitei-me numa pedra e senti a água caindo sobre meu corpo. O teu abraço, os teus beijos, a tua companhia fizeram daquele instante cada vez mais mágico!

Hora de voltar à casa.

Lá chegando havia um primo com um carro de som bebendo um vinho. Descemos das mulas, cumprimentamos a todos e logo meu primo começou a te "alfinetar". Não era de se estranhar: puro ciúmes. Aquilo me subiu como fogo. Mal percebi a hora que eu dei um chute nele. RS novamente meu estilo bruto floresceu. Fiquei profundamente triste. Ai de mim se alguém falar mal de você. EU DOU A MINHA VIDA PRA TE DEFENDER.

O momento negro passou. Seu rostinho sereno me acalmou, fomos até a cidade para comermos algo e no caminho traçamos mais planos para nossa caminhada pela vida. Lanchamos e de lá fomos ao pouso da folia*

 

* Os foliões passam sete dias andando à cavalo e a noite pousam nas fazendas para descançarem. No último dia do giro, eles se reúnem em uma reza seguida de fartas comidas e doces. a festa é encerrada com forró e muita alegria. Festa típica de interior.

 

Chegando lá você me olhava de forma linda. Não precisava dizer nada. Seus olhos traduziram a paixão altamente correspondida.

Lá conversamos, encontrei velhos amigos e os apresentei. A sua simpatia impressionava a todos. Dançamos e ao final fomos à roda de viola...

Novamente meu instinto caipira falou alto: um violão, uma fogueira ao chão, a pinga queimando, a linguiça assando, um berrante sendo tocado. A proporção era de 5 homens para uma mulher nesse local. Mas a minha proporção era somente eu para você e você para mim.

O meu jeito caipira estava cada vez mais acentuado. Alguma coisa do tipo " Paraíba masculina mulher macho sim senhor"... toquei a viola, ensaiei o berrante... RS

Parecia que na roça, na água, no pouso da folia eu estava cuidando de você. E como o fiz com prazer.

Na volta, estávamos sentados no banco traseiro do carro. Eu me encolhi de frio. Tua grande blusa me cobriu e teu abraço me envolveu toda e me aqueceu.

Passei um dia todo sendo uma "mulher quase homem da roça"...

e em poucos minutos, você com um abraço sereno desmontou minha estrutura.

Eu adormeci em teus braços me sentindo a menor (e mais feliz) das criaturas cujo abraço teu me protegia...

...E COMO FOI BOM ESSE SENTIMENTO...



Escrito por Amanda Resende às 15h59
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CONT. ROÇA

  MATANDO O GADO

 

 

BANHO NO RIACHO

 

CHEGADA NA CASA

 

POUSO DA FOLIA COM MEU IRMÃO E A INGRID

 

 

  SÃO POR ESSAS E POR OUTRAS QUE A CADA DIA QUE PASSA VOCÊ SE TORNA MAIS ESPECIAL.



Escrito por Amanda Resende às 15h59
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Ismael

Encontrei um homem que me chame de linda em vez de gostosa.

Que deita embaixo das estrelas e escuta as batidas do meu coração, ou que permaneçe acordado só para observar-me dormindo.

Esperei pelo homem que me beije na testa ( e encontrei).

Que queira me mostrar para todo mundo mesmo quando estou suando.

Um homem que segure minha mão na frente dos amigos dele.

Que me acha a mulher mais bonita do mundo mesmo quando eu estou sem nenhuma maquiagem e que insista em me segurar pela cintura.

Aquele que me lembra constantemente o quanto ele se preocupa comigo e o quanto sortudo ele é por estar ao meu lado (e eu ao lado dele).

Esperei por este que esperou por mim... Aquele que vire para os amigos e diga “É ela!”

TE ADORO MEU MARRENTINHO!

 



Escrito por Amanda Resende às 20h36
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